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IA, governança digital, aprendizagem adaptativa e cibersegurança estão entre as tendências que ganham espaço na feira e ajudam a antecipar decisões para as escolas

A Bett Ásia 2026 chega a Kuala Lumpur, na Malásia, em um momento de mudança no debate sobre tecnologia educacional. O foco deixa de estar apenas na adoção de ferramentas digitais e passa a envolver governança, inteligência artificial, dados, segurança e transformação da aprendizagem. Nesse cenário, a feira se consolida como um espaço para observar tendências que podem influenciar decisões de escolas e redes de ensino nos próximos anos.

Dentro de pouco mais de um mês, nos dias 23 e 24 de setembro, o evento reunirá no icônico Mandarin Oriental mais de 2.700 participantes, além de mais de 100 autoridades e representantes governamentais. A programação também prevê uma área de expositores com soluções voltadas a diferentes etapas e necessidades do ecossistema educacional. Segundo o relatório setorial da Bett Ásia, 82% dos participantes ligados à educação são compradores ou tomadores de decisão.

A relevância da feira, porém, não está apenas em sua dimensão. A programação combina discussões estratégicas, demonstrações práticas e contato direto entre educadores e empresas de tecnologia. Leadership Summit, Tech User Labs e Educator x EdTech Exchange aproximam gestores, professores e desenvolvedores em torno de problemas concretos da escola.

Para lideranças educacionais brasileiras que participarão da Missão Ásia 2026, organizada pela Efígie Educacional, essa combinação permite observar tendências em diferentes níveis. A questão deixa de ser qual tecnologia está disponível e passa a envolver como ela pode ser incorporada à gestão, ao currículo e às práticas pedagógicas.

Bett Ásia 2026 amplia o debate sobre inteligência artificial

A programação da Bett Ásia 2026 indica uma mudança importante na discussão sobre inteligência artificial na educação. O debate sobre permitir ou proibir ferramentas generativas perde espaço para questões relacionadas à governança, ao uso ético e à preservação da autonomia cognitiva dos estudantes. A chamada proteção cognitiva aparece nesse contexto como preocupação com o uso da IA sem substituir processos de pensamento.

Essa mudança também alcança o papel dos professores. Em vez de apresentar a tecnologia como substituta do educador, diferentes sessões discutem como a inteligência artificial pode apoiar formação continuada, planejamento e acompanhamento da aprendizagem. O relatório destaca a perspectiva “Mais IA, Mais Humano”, associada à discussão sobre como ampliar o potencial docente sem retirar do professor sua função pedagógica.

O protagonismo dos estudantes aparece em outra frente. O Bett Asia Schools Challenge, realizado em parceria com o Google for Education, coloca jovens a partir de 13 anos diante de problemas reais de suas comunidades. Os participantes desenvolvem projetos com ferramentas como o Gemini, aproximando inteligência artificial, pensamento computacional, cidadania digital e resolução de problemas.

Na Leadership Summit, a discussão se amplia para a gestão. O foco inclui orçamento contínuo para tecnologia educacional, cibersegurança, organização de dados e mudanças nas formas de avaliação diante da automação. Para gestores brasileiros, o movimento sinaliza que a transformação digital exige decisões institucionais permanentes, e não apenas aquisição de plataformas ou equipamentos.

A feira mostra para onde caminha a tecnologia escolar

O espaço de expositores ajuda a materializar essas tendências. Grandes empresas, plataformas educacionais e startups apresentam soluções que conectam infraestrutura, aprendizagem, gestão e segurança. Entre os nomes relacionados no relatório estão Google for Education, Microsoft, IBM, Coursera, Canvas, Open LMS, Mathspace, Chamomile AI, Lightspeed Systems, Blocksi, Robotron e ZEP.

Essa diversidade revela uma mudança na própria arquitetura tecnológica das escolas. Plataformas de aprendizagem deixam de funcionar apenas como repositórios de conteúdo e passam a integrar dados, avaliações, ferramentas externas e recursos de inteligência artificial. A busca por interoperabilidade também ganha importância, reduzindo o isolamento entre sistemas administrativos, ambientes virtuais e plataformas pedagógicas.

Outro eixo envolve a aprendizagem adaptativa. Soluções apresentadas na feira utilizam inteligência artificial para identificar padrões de erro, acompanhar o raciocínio dos estudantes e oferecer percursos personalizados. O movimento é especialmente relevante para áreas STEM, nas quais sistemas podem analisar processos de resolução e fornecer feedback durante o desenvolvimento das atividades.

A segurança digital aparece como outra frente estratégica. Ferramentas de filtragem de conteúdo, gerenciamento de dispositivos, proteção de redes e monitoramento do ambiente online respondem a uma realidade em que escolas acumulam dados e ampliam o uso de dispositivos conectados. Inclusão e acessibilidade também entram nesse ecossistema, com recursos de tradução, leitura de tela e adaptação de experiências de aprendizagem.

Para a educação brasileira, o conjunto dessas tendências produz uma questão prática: como escolher tecnologias capazes de resolver problemas reais da escola? A Bett Ásia 2026 aponta para uma resposta menos centrada em ferramentas isoladas e mais relacionada à integração entre infraestrutura, dados, aprendizagem e gestão.

O cenário também reforça a necessidade de políticas institucionais para inteligência artificial, segurança digital e uso responsável de dados. Em vez de tratar cada nova ferramenta como uma decisão independente, gestores precisam avaliar como as tecnologias se conectam ao projeto pedagógico, à formação docente e aos objetivos de aprendizagem.

A experiência da Bett Ásia 2026, portanto, interessa menos pela quantidade de novidades apresentadas e mais pelo que a combinação entre programação e expositores revela sobre a direção do setor. IA integrada aos processos escolares, aprendizagem adaptativa, interoperabilidade, cibersegurança e protagonismo estudantil formam um conjunto de tendências que já ultrapassou o campo experimental.

Para gestores brasileiros, acompanhar esse movimento significa ampliar a capacidade de antecipar decisões. A transformação educacional não depende apenas de descobrir quais tecnologias chegarão às escolas, mas de compreender quais problemas elas podem resolver, quais riscos introduzem e quais mudanças exigem na cultura institucional.

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